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O que é?
Público-alvo
Tipos de atendimentos
Quando procurar?
Por que é importante?

Psicologia Afirmativa para LGBTI+

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Por Daniel Kerry© 

​O que é?

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A psicologia afirmativa para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, não-bináries e intersexuais (LGBTI+) é uma modalidade de prática psicológica que visa acolher e escutar pessoas não-heterossexuais e/ou não-cisgêneras. Não se configura como uma abordagem ou uma corrente teórica específica da psicologia, mas, sobretudo, como uma ética (não-heteronormativa e não-cisnormativa) que orienta a escuta e o processo terapêutico e analítico.

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A psicologia afirmativa para LGBTI+ é uma prática reconhecida e recomendada por várias instituições representativas da psicologia, como a Associação Americana de Psicologia (APA), a Sociedade Britânica de Psicologia (BPS), entre outras.

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Em meu trabalho, articulo a perspectiva clínica e teórica da Esquizoanálise ao campo dos estudos de gênero e sexualidade, das teorias feministas e transfeministas e dos estudos queer. A partir dessas “lentes”, tenho atuado há mais de 15 anos nas áreas da psicologia clínica e da psicologia social junto à comunidade LGBTI+. Além da experiência profissional como psicólogo, também dediquei minha carreira acadêmica (graduação, mestrado e doutorado) ao campo dos estudos de gênero e sexualidade, desenvolvendo pesquisas científicas, oferecendo assessorias e ministrando cursos, oficinas e palestras. Para ler mais sobre minha trajetória e formação, clique aqui.

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Público-alvo:

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A psicologia afirmativa se dirige, especialmente, a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais (homens e mulheres trans), pessoas não-bináries e intersexuais.

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Os atendimentos também podem ser oferecidos aos/às familiares de pessoas LGBTI+ que estejam buscando por orientação para saber lidar melhor com as experiências e vivências de membros LGBTI+ de suas famílias.

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Tipos de atendimentos:

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No contexto da psicologia afirmativa para LGBTI+, ofereço os seguintes atendimentos clínicos:

 

  • Orientação psicológica para pessoas LGBTI+
    Intervenção mais breve, que visa acolher e orientar pessoas que estejam precisando conversar e/ou tirar dúvidas sobre questões referentes à orientação sexual, identidade de gênero, gênero, corpo e sexualidades.

     

  • Orientação psicológica para familiares de pessoas LGBTI+
    Intervenção mais breve, que visa acolher e orientar familiares de pessoas LGBTI+ que estejam precisando conversar ou tirar dúvidas sobre orientação sexual, identidade de gênero, gênero, corpo e sexualidades.

     

  • Psicoterapia para pessoas LGBTI+
    Intervenção mais longa, que visa aprofundar o processo terapêutico e analítico junto às pessoas LGBTI+. Nesse contexto, trabalham-se aspectos que podem ou não ter relação com as questões de gênero e sexualidade. Sabemos que pessoas LGBTI+ não se resumem às suas orientações sexuais e às suas identidades de gênero. No entanto, no âmbito da psicoterapia, ressalta-se a importância da garantia de ambientes seguros, sensíveis e acolhedores para pessoas LGBTI+, de modo que todos/as/es possam usufruir desses espaços de cuidado.

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Quando procurar?

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Fazer terapia é um movimento que deve partir do desejo da própria pessoa. Nesse sentido, não há um contexto específico ou único para que alguém decida iniciar um processo psicoterapêutico.

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De modo geral, um dos principais aspectos da psicoterapia afirmativa para LGBTI+ é o fato de que o/a psicólogo/a tem experiência e familiaridade com as questões de gênero e sexualidades. Com isso, favorece-se a construção de um espaço seguro de acolhimento e de uma escuta sensível que reconheça as especificidades das vivências e experiências de pessoas LGBTI+. Assim, mesmo que a motivação para iniciar a terapia não esteja diretamente ligada às questões de gênero e sexualidade, uma pessoa LGBTI+ poderá se beneficiar do encontro com um/a psicoterapeuta afirmativo/a.

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De modo mais específico, alguns motivos pelos quais pessoas LGBTI+ geralmente procuram atendimento psicológico são:

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  • Pessoas que estejam questionando sua identidade de gênero e desejam (ou não) iniciar um processo de transição de gênero;

  • Saúde transespecífica: relação com o corpo; processos de modificação corporal (hormonioterapia, cirurgias etc.); expressões de gênero; vivências transafetivas; redes de apoio; etc.

  • Situações conflituosas com família que tenha dificuldades em aceitar a orientação sexual e/ou identidade de gênero da pessoa;

  • Necessidade de refletir sobre as especificidades das vivências de gênero e sexualidade ao longo do curso de vida (juventude, adultez, velhice);

  • Sentimentos de não-pertencimento, de inadequação, de exclusão e de solidão em diversos contextos;

  • Pessoas LGBTI+ que tenham passado por situações de violência, discriminação e preconceito em diversos contextos;

  • Vivências em relação ao machismo, à transfobia, à homofobia, à lesbofobia, à bifobia, ao monossexismo, ao heterossexismo etc.

  • Dificuldades em aceitar a própria orientação sexual e/ou identidade de gênero;

  • Questionamento de expressões “tóxicas” de masculinidades (para homens cisgêneros gays e bissexuais; ou para homens trans gays, bissexuais e heterossexuais)

  • Desejo de conversar sobre vivências amorosas, afetivas e sexuais diversas (poliamor, relações abertas, não-monogamia, monogamia, conjugalidades, sexo casual etc.)

  • O (con)viver com o hiv e questões relativas à saúde sexual (uso de tecnologias de prevenção, como PrEP, PEP, Tratamento como Prevenção; relacionamentos sorodiscordantes; revelação da sorologia; diagnóstico; tratamento; discriminação; estigma; etc.)

 

É evidente que os motivos não se esgotam nessa lista e que existem muitas outras questões possíveis que façam com que uma pessoa LGBTI+ procure por um/a psicólogo/a. O importante é que, ao iniciar um processo terapêutico, a pessoa se sinta acolhida e segura para compartilhar suas vivências.

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Por que a psicologia afirmativa para LGBTI+ é importante?

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Historicamente, a ciência psicológica reproduziu muitas violências contras pessoas LGBTI+. A psicologia foi uma das disciplinas responsáveis, ao longo dos séculos XIX e XX, pela manutenção e reprodução de discursos e práticas que desumanizam, patologizam (ou seja, transformam em “doenças” e/ou “transtornos”) e estigmatizam pessoas que não se enquadram nas expectativas normativas de gênero e sexualidade.

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Muitos cursos de graduação em psicologia não contemplam em seus currículos questões relativas à diversidade sexual e de gênero, o que faz com que muitos/as profissionais da área não saibam lidar com as experiências e vivências de pessoas LGBTI+, ou acabem pautando seus trabalhos e suas escutas em perspectivas heteronormativas e cisnormativas.

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Em decorrência do histórico normalizador, prescritivo e cisheteronormativo da ciência psicológica e da precariedade da formação de muitos/as profissionais de Psicologia, é frequente que pessoas LGBTI+ acabem tendo experiências negativas ao se consultarem com psicólogos/as. Quando isso acontece, o que deveria ser um espaço de cuidado acaba se configurando como mais um contexto de revitimização e de perpetuação de violências (para conhecer mais sobre essa questão, clique aqui para conferir o livro "Tentativas de Aniquilamento de Subjetividades LGBTIs", organizado pelo Conselho Federal de Psicologia)

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Considerando a importância de uma psicologia que se posicione categoricamente contra toda forma de discriminação, patologização e desumanização de pessoas LGBTI+, torna-se fundamental a construção e a afirmação de espaços seguros para essas pessoas.

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Qual a posição do Conselho Federal de Psicologia?

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O Conselho Federal de Psicologia (CFP) tem uma posição muito explícita no que diz respeito a atuação de profissionais de psicologia junto a população LGBTI+. Atualmente, temos três resoluções importantes que regulamentam a atuação do/a psicólogo/a em relação à orientação sexual e à identidade de gênero: a Resolução CFP 01/1999, a Resolução CFP 01/2018 e a Resolução CFP 08/2022. Esses três documentos são enfáticos em relação a alguns aspectos:

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  • A psicologia não considera as homossexualidades, as bissexualidades, as sexualidades não-monossexuais, as transexualidades, as travestilidades e as não-binariedades de gênero como patologias, transtornos e/ou doenças;

  • Profissionais de psicologia não podem propor tratamentos que visem a supostas “curas” e/ou “mudanças” das orientações sexuais e/ou das identidades de gênero (não sendo doenças, não há o que se curar!)

  • Profissionais de psicologia não podem atuar ou se manifestar publicamente, na condição de psicólogos/as, de modo a reforçar preconceitos, estigmas e discriminações contra pessoas LGBTI+.

  • Profissionais de psicologia, ao atuar junto a pessoas LGBTI+, devem construir práticas e estratégias afirmativas de enfrentamento aos preconceitos, aos estigmas e às discriminações.

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Como agendar uma consulta?

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Para agendar uma primeira consulta, basta me enviar um e-mail, me ligar ou mandar uma mensagem pelo WhatsApp!

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Contatos:

Daniel Kerry - Psicólogo

E-mail: dakerry@gmail.com

Celular/WhatsApp: 48 9 9612-2463

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Realizo atendimentos on-line e presenciais (clique aqui para ver o endereço do consultório). 

 

 

Miniglossário:

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Orientação sexual: diz respeito aos modos pelos quais nos orientamos e nos atraímos afetiva e sexualmente por outras pessoas (exemplos de orientação sexual: homossexual, heterossexual, bissexual, assexual, pansexual etc.).

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Identidade de gênero: diz respeito aos modos pelos quais nos identificamos em termos de gênero, no amplo espectro das masculinidades, feminilidades, não-binariedades etc. É importante lembrar que “gênero” não é uma categoria fixa e “pronta na natureza”, mas uma construção social e histórica. Nesse sentido, os modos de identificação de gênero são diversos, múltiplos e se relacionam com os códigos, signos e normas culturais.

 

Heteronormatividade / heteronormativo: ideologia que pressupõe que a única orientação sexual “normal”, “aceita”, “desejável” e “sadia” é a heterossexualidade.

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Cisnormatividade / cisnormativo: ideologia que pressupõe que a única identidade de gênero “normal”, “aceita”, “desejável” e “sadia” é a cisgênera.

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Cisgênero / cisgeneridade: uma pessoa cisgênero (ou que vive a cisgeneridade) é uma pessoa que se identifica com o gênero designado ao nascimento (exemplo: uma pessoa que nasceu com pênis, foi designada ao nascimento como menino e ao longo da sua vida se identifica como menino/homem).

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Patologização: conjuntos de práticas e discursos que transformam dimensões da existência humana em aspectos patológicos (doenças, desvios, transtornos etc.). Os processos de patologização das sexualidades e do gênero foram responsáveis, historicamente, pelo grave erro de se considerar pessoas LGBTI como doentes mentais e/ou como “portadoras de desvios e doenças”.

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Monossexismo: crença ou ideologia que considera que a atração por uma único gênero (homossexual ou heterossexual) seria algo moralmente superior. O monossexismo é uma forma de violência que incide, sobretudo, sobre pessoas bissexuais e pansexuais.

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Queer: expressão em inglês que significa algo como “estranho”, “esquisito”, “diferente”. Também pode significar um termo pejorativo que desumaniza pessoas que não se adequam às identidades de gênero e às orientações sexuais normativas (em português, seria algo como “viado”, “bicha” etc.). A partir da década de 1990, o termo passou a ser ressignificado por pessoas LGBTI, de modo a adquirir um sentido positivo de afirmação política e de subversão das normas de gênero e sexuais. Os estudos queer são um conjunto de complexas teorias, ideias e conceitos que se propõem a analisar as relações de poder que atravessam as relações de gênero e de sexualidade. As proposições queer se afirmam como “pós-identitárias”. Nesse sentido, queer não seria uma identidade de gênero ou uma orientação sexual, mas justamente um questionamento radical acerca de concepções fixas das identidades.

 

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Obs.: Para conhecer mais termos, conceitos e definições, conferir o “Guia técnico sobre pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros para formadores de opinião”, da pesquisadora e professora Dra. Jaqueline Gomes de Jesus

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© Daniel Kerry

Psicólogo CRP 12/11122

E-mail: dakerry@gmail.com | Cel.: (48) 9 9612-2463​

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